Italo Ferreira é o atual líder do ranking mundial de surfe da WSL. Trazendo a lycra amarela da última etapa, em Teahupoo, ele se prepara para a etapa de Fiji. Nesta última semana, o surfista esteve no Athlete Performance Center (APC) da Red Bull, na Califórnia, com treinos funcionais focados na alta performance no surfe. Recuperado de uma lesão na lombar, Italo conta que o trabalho tem sido por etapa, focando em cada desafio por vez.
1. Como foi esse treinamento funcional no APC da Red Bull, na Califórnia?
Ontem (20) a gente finalizou os treinos aqui no APC da Red Bull. Eu tive que optar abrir mão de ir para Fiji antes e cuidar da lesão que eu tive no Tahiti. Lá, eu tive que competir com muita dor, né. E, de fato, hoje, graças a Deus, eu consegui ter uma melhora bem grande comparado ao que eu estava sentindo anteriormente no Tahiti. É quase que 100% de melhora e de rendimento nos treinos. Então, assim, a vida do atleta não é fácil, é sempre cheia de desafios e, no meu caso, eles estão sempre ali na minha frente. É como uma barreira a ser pulada e aquilo ali, de fato, me motiva. Então, assim, foi um momento que eu tive para me recuperar, me preparar, resetar a mente e ir para cima agora na próxima etapa.
2. O que pode destacar sobre sua recuperação, neste momento do calendário?
Fiji é uma onda que realmente vai te exigir um pouco mais do que o Tahiti. No Tahiti você só pega um tubo e sai da onda, então é bem mais tranquilo e mais fácil. Em Fiji você tem uma onda extensa, uma onda que te proporciona manobras e tubos, então tenho muito mais movimento de rotação e inclinação da lombar; mais tensão ali naquela área. Ou seja, eu trabalhei bastante nos últimos dias com base nisso, ganhando força também para que eu pudesse me preparar para esse momento de Fiji. Acho que hoje eu me vejo bem assim. Eu vou saber depois dos próximos treinos na água; não estou surfando, optei por segurar e guardar energia para realmente performar na hora que eu tiver que performar. Então, estou embarcando para Fiji hoje com a mente bem positiva de que foi um grande treinamento aqui na Red Bull e vou estar preparado para o próximo desafio.
3. Como analisa sua performance até essas etapas finais antes do fim da temporada regular, e início do pós-temporada?
Eu estou indo por partes. Estou indo pelo momento. Então, esse é o momento de ir para Fiji e fazer o meu melhor resultado, de fato ir lá, surfar e aproveitar as oportunidades e os momentos, fazendo um bom resultado para seguir na jornada e na caminhada ali no topo do ranking. É claro que está sendo bem desafiador neste ano, onde outros atletas que nunca venceram acabaram vencendo a competição. Isso te deixa mais atento com quem está performando de fato naquela competição, porque ali pode ser uma ameaça grande ou alguém que realmente possa te vencer e vencer o campeonato. Então, assim, está todo mundo em um nível muito bom e isso te deixa mais motivado e com mais energia para entrar na água e surfar de verdade.
4. O que muda para essa etapa com a lycra amarela?
A cobiçada lycra amarela. É muito importante, mas desde que saí do Tahiti, meu foco foi só a recuperação da minha lesão na coluna, na lombar. Esse era o meu maior objetivo. Estou indo por partes, e isso me deixa com um pouco mais de tranquilidade dentro de mim, onde sei que na hora em que tiver que usar toda a minha energia e tudo o que posso fazer na água, vou fazer acontecer para continuar brigando pela liderança do ranking e estar firme no meu propósito.